quarta-feira, 30 de setembro de 2015

As Ruínas do Progresso

De onde eu estava só dava para ver sua copa era abundante e contrastava com o cenário de destruição a sua volta. Minha miopia não me deixava enxergar longe o suficiente para identificar sua espécie, mas dava para ver que ofuscava as outras árvores, tamanha era sua imponência. Queria chegar mais perto, poder tocá-la, sentir sua casca, verificar a espessura de seu tronco, confirmar até onde suas raízes alcançavam.
Porém lembrei-me que antes de chegar ao lugar onde ela estava, depois que me livrasse dos escombros do castelo, ainda teria que enfrentar ervas daninhas e raízes traiçoeiras prontas para me derrubar ao primeiro deslize, sem falar nos galhos das árvores mais baixas que insistiam em ficar no meu caminho. Pensando em tudo isso confesso que por alguns segundos sentir medo. Mas dessa vez, pela primeira vez, eu não queria pensar, queria apenas sentir, deixei-me levar pela minha vontade de vê-la de perto, e isso foi maior que todo o medo que senti.
Partir, empurrando os galhos, me esforçando o máximo para direcionar toda minha atenção para as raízes, pois assim os danos que elas me causariam seriam menores, depois de muitos tombos e vários arranhões, por fim cheguei ao tão sonhado lugar.
Se vista de longe era bonita, de perto era ainda mais, nada parecia ter mais força, suas folhas eram de um verde escuro forte, dos galhos menores pediam flores de uma delicadeza que só a natureza poderia fazer. Nesse momento virei-me para ver o caminho que havia percorrido. Foi o que bastou. O encanto se quebrou e fui imediatamente atacada por uma sensação de pânico.
Pensei até quando aquilo poderia durar. Quem afinal venceria? As maquinas que os homens usavam para desmatar ou a imponência daquela árvore?

Lembrei-me que há muito tempo atrás havia muitas outras daquelas árvores por aquela região, inclusive uma ficava exatamente no lugar de onde eu tinha partido, mas que foram destruídas para dá lugar a castelos cada vez maiores -tão grandes quanto a ganância dos homens- que o tempo tratava de destruir. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

FANTAMAS CAMARADAS


Fantasmas Camaradas
Companheiros na madrugada
Onde ninguém te escuta
E tudo te grita, te sufoca
Te obriga a transbordar
Tudo que na luz do sol
Tu fez questão de ignorar
A lua que agora te acolhe
Se mostra aquela amiga
Pra quem você pode chorar
A sua luz é pálida, tal qual
Minha face, agora manchada
Pelas pinturas que me
Ajudaram a camuflar
O brilho nos olhos e o
Sorriso que pesava quilos
Na falta de um ombro amigo
Ou mesmo qualquer pessoa
Que esteja disposta a ouvir
Descrevem qualquer caderno
Repetindo em velhos versos
Dores do passado
E lembranças que de um futuro
Que ainda há de vir.
Sinto que aqui posso ser sincera
Dizer o que eu quero pra mim
Reclamar como preferia
Ter nascido em outra era
E dizer que aquele sonho já era
Não vou ser questionada
Porque agora sou só eu e meus fantasmas
Compartilhando mais uma madrugada
Até a manhã seguinte chegar
Onde vou de novo brincar de viver
Com sorriso no rosto
Até a noite chegar
E eu de novo com meus fantasmas
Me encontrar