De onde eu estava só dava para ver sua copa era abundante e
contrastava com o cenário de destruição a sua volta. Minha miopia não me
deixava enxergar longe o suficiente para identificar sua espécie, mas dava para
ver que ofuscava as outras árvores, tamanha era sua imponência. Queria chegar
mais perto, poder tocá-la, sentir sua casca, verificar a espessura de seu
tronco, confirmar até onde suas raízes alcançavam.
Porém lembrei-me que antes de chegar ao lugar onde ela
estava, depois que me livrasse dos escombros do castelo, ainda teria que
enfrentar ervas daninhas e raízes traiçoeiras prontas para me derrubar ao
primeiro deslize, sem falar nos galhos das árvores mais baixas que insistiam em
ficar no meu caminho. Pensando em tudo isso confesso que por alguns segundos
sentir medo. Mas dessa vez, pela primeira vez, eu não queria pensar, queria
apenas sentir, deixei-me levar pela minha vontade de vê-la de perto, e isso foi
maior que todo o medo que senti.
Partir, empurrando os galhos, me esforçando o máximo para
direcionar toda minha atenção para as raízes, pois assim os danos que elas me
causariam seriam menores, depois de muitos tombos e vários arranhões, por fim
cheguei ao tão sonhado lugar.
Se vista de longe era bonita, de perto era ainda mais, nada
parecia ter mais força, suas folhas eram de um verde escuro forte, dos galhos
menores pediam flores de uma delicadeza que só a natureza poderia fazer. Nesse
momento virei-me para ver o caminho que havia percorrido. Foi o que bastou. O
encanto se quebrou e fui imediatamente atacada por uma sensação de pânico.
Pensei até quando aquilo poderia durar. Quem afinal
venceria? As maquinas que os homens usavam para desmatar ou a imponência daquela
árvore?
Lembrei-me que há muito tempo atrás havia muitas outras
daquelas árvores por aquela região, inclusive uma ficava exatamente no lugar de
onde eu tinha partido, mas que foram destruídas para dá lugar a castelos cada
vez maiores -tão grandes quanto a ganância dos homens- que o tempo tratava de
destruir.
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